Recomendo pra diversão livre sem expectativas.
14/10 - Cinesystem Bangu

(Dir.:Sergio Rezende.Com:Andréa Beltrão, Denise Weinberg.Brasil-2009)
Lúcia é a professora de piano que vê o filho adolescente ser preso após este se envolver num acidente de carro. Atrás das grades, o jovem toma partido de um grupo de presidiários chamado Comando. A mãe, que em suas visitas ao presídio acompanha o cotidiano do filho, logo passa a fazer parte daquele mundo. E com a interferência da advogada do Comando, Lúcia aos poucos se transforma em peça-chave de um jogo perigoso. História inspirada nos ataques orquestrados pela facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no fim de semana do Dia das Mães, em 2006.
Opinião: Não é apenas mais um filme a falar da violência e da relação das pessoas com esse eterno companheiro de cela, mesmo assim, como algumas outras produções que temos visto, aborda a gradual aceitação, ou melhor, incorporação da violência ao cotidiano. Ele também humaniza e estreita os dois lados da vida de um detento e a repercussão familiar da sua situação.
Por se tratar de um filme baseado em fatos reais é que vemos quão absurda é nossa capacidade de tolerar o horror e diluir cada vez mais rápido seus males com o passar do tempo.
O filme, como em "Carandiru" ou "Quase dois Irmãos", mostra o íntimo da vida presidiária, a hierarquia entre os detentos e suas relações com o poder mais imediato: o diretor da prisão. Daí vemos apenas o que já sabemos: corrupção, acobertamento, sistema de favores; coisa que já estamos tão acostumados a ler e ouvir que nem ao menos choca, apenas ilustra. Nesse ponto é pra se questionar: "Isso é o certo, o errado ou apenas o real?" Não deixa de ser apenas o real, na minha opinião.
A longa trilha, entre a ruína familiar, o assassinato, a prisão do rapaz, sua vida na cadeia e os "rolos" em que a mãe se submete pra conseguir tirá-lo de lá, é mostrada de forma acelerada, que traduz o desespero da situação e deixa a história mais realista.
É um filme de ficção que dramatiza um fato real, que infelizmente ainda pode voltar a acontecer. Recomendo para reflexão e questionamento sobre o tema.
22/10 - West Shopping

(Dir.:Quentin Tarantino.Com:Brad Pitt, Mélanie Laurent, Christoph Waltz, Eli Roth.Estados Unidos/Alemanha/França-2009)
Durante a Segunda Guerra Mundial, na França ocupada pelo exército alemão, a jovem Shosanna Dreyfus testemunha a execução de toda a sua família pelas mãos do coronel nazista Hans Landa. A moça escapa e viaja para Paris, com a forjada identidade de dona e operadora de um cinema. Ainda na Europa, o tenente Aldo Raine organiza um grupo de soldados judeus para lutar contra os nazistas. Conhecido pelo inimigo como The Basterds, o grupo de Aldo acaba tendo como nova integrante a atriz alemã e espiã disfarçada Bridget Von Hammersmark, que tem a perigosa missão de derrubar os líderes do Terceiro Reich.
Opinião: Eu tenho uma certa cisma com Tarantino, mais pelas pessoas (chatas) que são "adoradoras" de qualquer trabalho que ele faça, como se ele fosse um "deus do cinema", do que com seus filmes (tudo bem que achei "Kill Bill" um saco, digo 2). Por isso entrei na sala tentando deixar do lado de fora todo e qualquer ranço de antipatia. Que bom que fiz isso!
Gostei muito do filme. Num mix de momentos e núcleos de ação, o filme trabalha bem a ação com comédia e muito sangue. É uma combinação que me agrada (sadismo cômico) e me lembra o melhor dos filmes "trash", sem usar a tosqueira gratuita. Uma das minhas implicâncias com o estilo do diretor é abuso do tosco desnecessário, pois quando é um filme de baixo orçamento, desculpa-se.
É um filme longo, mas o tempo passa fácil enquanto a história vai sendo conduzida em meio a balas, explosões, diálogos longos e pitadas de História. Não é pra entrar na sala achando que vai ver uma versão dos fatos ao estilo "A Queda", é só ficção. Parece mais com "Duro de Matar" que usa a 2ª Guerra como pano de fundo, mas diverte.
Posso dizer que foi uma renovação da minha opinião e que me estimulou a ver alguns outros filmes dele que ainda não pude.
29/10 - Cinesystem Bangu

(Dir.: Neil Blomkamp Com:Sharlto Copley,Jason Cope,Nathalie Boltt. África do Sul-2009)
Há 20 anos uma gigantesca nave espacial pairou sobre Joanesburgo, capital da África do Sul. Como estava defeituosa, milhões de seres alienígenas foram obrigados a descer à Terra. Eles foram confinados no Distrito 9, um local com péssimas condições e onde são constantemente maltratados pelo governo. Pressionado por problemas políticos e financeiros, o governo local deseja transferir os alienígenas para outra área. Para tanto é preciso realizar um despejo geral, o que cria atritos com os extra-terrestres. Durante este processo Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley), um funcionário do governo, é contaminado por um fluido alienígena. A partir de então ele se torna um simbionte, já que seu organismo gera algumas partes extra-terrestres. Com o governo desejando usá-lo como arma política, Wikus conta apenas com a ajuda do extra-terrestre Christopher para escapar
Opinião: Eu adoro ficção científica, então sempre sou suspeito pra falar, mas Distrito 9 vai além da ficção comum (naves, alienígenas, armas ultra-power-avançadas e devastadoras) ele toca no impensável: questões sociais. Racismo, miséria, violência sãos alguns dos males sofridos pelos alienígenas. Separados do convívio dos humanos, são isolados no Distrito 9, tornando o lugar uma grande favela no melhor estilo carioca de crescimento habitacional espontâneo. Incrível a semelhança. Parece até que filmaram aqui (será?).
O mais interessante é ver que, no filme, pretos e brancos discriminavam igualmente os alienígenas, apelidados de "camarões", dada sua semelhança (eu até agora quero entender isso, pois pra mim pareciam grandes grilos). Campos de concentração, experimentos em cobaias vivas, contrabando de armas e comida pela organização criminosa local, descaso do governo e a criminalização de qualquer "alien" que saísse das regras impostas pela sociedade local; tudo faz alusão a alguma situação que determinados povos passam ou passaram em alguma época da nossa civilização. Não me lembro de ter visto isso em outro filme de "aliens vs humanos".
Por isso esse filme é incrível, pois tirada a "casca" da primeira impressão (ficção científica à la MIB) fica sua síntese: Nós não somos melhores do que ninguém.
Não tinha melhor forma de criticar nossa condição de pretensos superiores do que nessa alusão tão original. Super indico!